era como se o acabado
nunca terminasse.
O Indivíduo andou tanto que saiu do mapa pra parede
perdeu-se na imensidão daquele branco, daquela parede
não havia ruas postes esquinas: apenas uma brancura ambígua. continuou dirigindo naquele branco fora do mapa, sem orientação alguma de espaço visosensorial — um enorme mar intangível de tinta branca. de repente não era mais parede e sim uma folha branca infinita[mente] (insana) imensa[mente]
branca
.
até que no meio desta brancura avistou ao longe cores e texturas diferentes: um pedaço de alguma coisa por conhecer. como não havia estrada caminho maiúscula ou espaço no momento certo chegou ao ponto supracitado.
Era um vilarejo, mais que isso, uma nação. não sabia dizer o tamanho daquele pedaço de alguma coisa naquela brancura, pois eles adotavam outras medidas que não entendia; eram intraduzíveis para nossa existência.
Foi muito bem acolhido pelos moradores. explicaram-lhe que aquele era o único lugar fora do mapa; a mancha de tinta na folha geral do mundo.
ninguém nunca havia nascido lá, todos moradores eram pessoas que se perderam numa rua fora do mapa
numa folha branca de papel
no indigesto gosto de fel
que tem todo mel
existente em cada amor.
O grande detalhe desse povoado era que eles controlavam o sol como se esse
fosse um gigantesco
e poderoso fresnel:
abaixav subi girav
\ | /
[am]
/ | \
focav abri fechav
II
como cada morador possuía uma terra natal
cada terra natal possuía um representante
que defendia a luz cedida para sua pátria pelos outros representantes de diferentes pátrias.
com o passar do tempo (que era diferente do daqui) foram chegando pessoas perdidas das mais variadas imagens&linguagens e o sol/fresnel foi ficando insuficiente para todos, mesmo lá tendo 24 e aqui apenas 16 horas/dia. & os habitantes começaram a sabotar a vida alheia das mais variadas formas maneiras.
o Indivíduo — que havia vindo de lugar nenhum num período onde o sol ainda brilhava para todos — sentiu a necessidade de se intrometer e acabar com aquele massacre mútuo que se desenrolava tanto na hora da novela quando no café da manhã.
livros e charadas anciãs o levaram há uma estranha montanha que parecia feita de papel crepom. era o mítico Monte da Tomada, onde — diz a lenda — o sol era ligado.
(perdeu três dedos uma orelha duas vértebras)
mas chegou ao cume dos mais de 17km de altura e desligou o sol. [Não. não pode ser tão fácil assim.]
subiu os mais de 17km de altura e, ao respirar aliviado com os dois pés fixos no cume, surge na sua frente um porco dândi com complexo de esfinge que lhe pergunta:
“Por que a Arte existe?”
e sem titubear o Indivíduo responde que ele “nunca saberá enquanto for um porco dândi!”
do olho suíno daquele bon-vivant caí uma lágrima e ele começa a evaporar. Enquanto se esvaece em fumaça grita o mais alto que pode: “a Arte existe porque todo homem quer ser deus!” “Todos querem ser deus!”
(...)
transtornado, sem saber o que se passava, o Indivíduo correu o mais rápido que pode e lançou-se ao léu ao se jogar da ponta do penhasco. Não, não era um suicídio, mas sim uma ótima estratégia pensada em frações eternas dum nanosegundo: ao se lançar ele se agarrou firme ao fio do sol, desplugando a tomada do monte.
O sol/fresnel se foi e naquela escuridão criado por ele mesmo o Indivíduo se perdeu.