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I
é estranho talvez complicado e até mesmo difícil (ao menos para mim) compreender isso que se passa aqui, que acontece dentro de mim (no raso da mente, no fundo do peito)
e como tudo que tem sentido (que tenho sentido) é paradoxal, oblíquo
encontro segurança em teus abraços, calor na tua pele, alimento em teu amor, silêncio nos teus olhos, curiosidade em teu jeito de olhar e isto (também) me faz seguir adiante
assim como o gosto pelo novo, àtração pelo desconhecido, o tesouro ainda escondido
II tenho passado (presente, futuro) horas dos dias na nóia, fritando neurônios refletindo sobre os tais relaconamentos afetivos humanos
quem me dera ter apenas o amor dos felinos, que se lambem sem pudor
III mas quando te vejo toda dúvida (por um momento) s'esconde não sei onde, porém ainda consigo sentí-las debaixo de cada pedaço de abraço
uma pulsão de desejos quase necessidade mais que isso: uma saudade (besta) da solidão que acompanha a liberdade
IV
? ou seria esta, a Liberdade, irmã da Solidão, filha da Saudade ?
V
sèu não soubesse que a realidade é invisível aos olhos, acreditasse que carbono, dinheiro & sangue é tudo que existe, lesse jornal e acompanhasse novela, fosse sodomizado pela televisão, lutasse pela propriedade privada, frequentasse a igreja, comesse bicho morto nas refeições, orasse antes de dormir, trabalhasse de camisa, concluísse uma faculdade, cogitasse a hipótese de me casar, tivesse um carro, acompanhasse futebol, não gostasse de andar perdido por aí nos dias frios, nascesse milionário, com carteira assinada, barba feita e cabelo penteado, muito provavelmente eu não acharia a monogamia algo anti-natural ao ser humano.
VI já me disseram que é mal de poeta, alguns nascem com isso, daí não tem como evitar em ataques aleatórios & esporádicos uma dúvida angustiante a respeito de tudo, do Tudo (duplamente) do Nada
uma curiosidade que percorre o existir, necessidade de experenciar para poder opinar, odiar e amar
ser parte da natureza, andar pela terra, voar como vento, fluído como água, o fogo da paixão
é como na sinuca, preferir ser sempre ímpar a ser par
I não há dentro, não há fora
não há lugar, nem não-lugar
estar aqui é estar lá:
ubiquidade virtual wireless, solidão compartilhada via rede.
II num lugar que não se toca aleatório & incalculável a cada segundo nascem símbolos variados & efêmeros que contam, mas não somam
espaço real, dimensão intangível onde todos podem ser Deus — pelo menos perante a si mesmo —
III dia que todo dia (re)nasce & morre meta morfose aleatória dentrèstados : ser forma sem forma é a essência do ser .
mais do que entender (geralmente) busco compreender os mistérios os Mistérios (d) o Existir
(pela Vida) observo gestos, gesticulo versos, ouço frases soltas do porvir tentando (tantando) captar frequências objetivas da Verdade virtualidade paralela_mente siamêsa do Ser
mas como se libertar total_mente enquanto seis milhões de monstros raivosos, grunhindo insesável_mente obscenidades incongruentes ao meus ouvidos, cospem no ar o sangue cinza sugado já há quase dois séculos de desigualdade, desiquilíbrio, destruição entre outras dezenas de descoisas, como a restrição da liberdade social do indivíduo, a merdificação da mídia, a escravidão remunerada, o incentivo vergonhoso ao consumo, cravado na mente humana das mais diversas formas — da dilaceração explícita feita com garras sujas e presas afiadas, que rasgam o cérebro para vomitarem lixo maldigerido no seu centro às mais avançadas nanocirurgias eletrônico-digitais que instalam absorventes bluetooth de radiação cancerínega bem no meio do seu ajna — . II
andando a noite pelas veias — que mesmo nestas supostas horas de repouso, horas-lazer, continuam entupidas, carcomidas por vírus coletivos e individuais — nestas horas caminho e mesmo sem ninguém ao meu redor não estou sozinho — tenho minhas sombras, m(eus) 2 & as sombras dos meus eus.
V
(mais uma vez) (mais uma vez) cruzo a Vida pelo Espaço da rua meto a mão no bolso e lá encontro dois fantasmas: Passado & Futuro caminhamos os três de mãos dadas percebo que prefiro o Presente os solto, as solto e corro ao encontro do Agora
III
entre um olho e outro entre Esquerdo & Direito
a Alma habita
entre o Sol & a Lua entre o domínio intelectual do Dia , o controle emocional da Noite
a Tarde habita
∴
o Todo habita
entre os Olhos , entre as Horas
há um Portal
aberto àqueles que sentem, que se abre àqueles que sentem, àqueles que sabem sentir, que se abrem
um Portal onde Tempo & Espaço são meros conceitos conceituais .
IV
ver te é sentir todo o Universo movendo-se em meu peito
é deixar saltitante cada microcélula do meu ínfimo existir físico
ver te é adentrar um estado alterado de consciência
ver te é ver me
1.inspira & absorve todò mundo ao teu redor.
quero o caos que cria mundos o erro que traz a reflexão o acaso que cria e destrói casas, casos
2.expira & devolve-o filtrado, alterado afetado por toda sua (minha, nossa) subjetividade.
quando os caminhos de nossa própria psiquê forem novamente percorridos, sem jamais para além de si serem traçados pseudamente mapeados — como cartografar o Rei dos Mutantes Infinitos & Efêmeros? pílulas de conhecimento (— não as confudam com remédios) escondidas sob as formas nuvens, sobre os veios das plantas, na casca dos caracóis ou nas asas da borboleta morta
3.& olha-te (por dentro), a ti mesmo do centro da linha horizontal nariz/nuca, na altura de dois dedos acima dos olhos.
da dolorosa beleza do fotograma que expontâneamente se queima fogo-fátuo por entre foquistas obtusos trans-correm horas = dias = noites = semanas = (...) chaleiras sobre chamas somam / todòs tipos de pré-supostos queimam
4.& prestàtenção no invisível&mágico_momento existente entre 1 e 2 supracitados.
neste lúdico&caótico micromomento (no qual moram os mistérios do Universo — infinitos versos ecléticos (in)tangíveis e her(m)éticos que convergem para o Uno—) a Realidade (se) existe
I. lenta a lesma segue sobre a terra, sob a lua seu longo caminho lenta a lua (também) segue (aparentemente) sobre a Terra, reflexo do sol seu eterno caminho
na história do universo quantas lesmas, em (qu/t)antas diferentes noites já caminharam, sobre as mais variadas terras, sob a mesma lua?
II. quantas mais deverão caminhar até que entendamos melhor dizendo, compreendamos: (o primeiro com a cabeça, o outro com o coração) que todo o tridimensional é efêmero, possui início, possui fim X Y Z dissolvidos em t &, pensando em tudo isso a cada segundo que passa, percebo o quanto gosto de você (s)
3. mesmo em movimento visualmente variando aos poucos constante metafmorfose cíclica, lagarta oroboroleta bela & alta se mantém lá feminina, misteriosa, hipno- tizante próxima pelo passado, longe pela distância (mesmo quando perto) ver, amar poder tocar dormir, sonhar com vontade de chorar
(não sendo o choro algo necessária- mente triste, mas sim o transbordar dum sentimento exponencial que não cabe no peito) ao lado, s'escondendo por entre as nuvens, em vão: seu brilho atravessa qualquer barreira 1V. (quiçá...) vi- ver é ca mi nhar por um imenso deserto tão vazio cheio de miragens, inalcansáveis oásis
no deserto todàs direções são iguais não existem placas, apenas guias ocultos que (en)cantam mu(n)dos seres iluminados, maltrapilhos sujismundos
cada um de nós caminhando, caminhando, cada qual em seu particular & infinito deserto apenas corpo & mala
iiiii. nesta mala cabe tudo, tão pequeno quanto a lesma grande quanto a lua cabe qualquer coisa que exista (ou não) no mundo e, ao cair em cada nova caminhada carregamos na mala tudoquejáexistiu mas, incrivelmente isso não pesa (quase) nada
V1. tenha 10, 50, 1000000... de passos toda jornada começa com o primeiro
iiiii2. e já nele começamos a selecionar (geralmente inconscientes) o que fica e o que sai da mala e por esse mecanismo, a vida segue
tudo que nela colocamos é de nossa inteira responsabilidade pessoal & intransferível e cada um deve (querendo ou não) carregar a sua mala sozinho
o peso de cada coisa depende muito de como se carrega. o amor pode ser fardo fétido, pode ser débil deleite o Outro pode lhe ajudar a escolher o que e como carregar, mas nunca fazer isto por você, pois já possui a dele. vamos passando pelo tempo constantemente colocando e retirando as coisas da mala. muitas delas são difíceis, quase impossíveis, de largar; outras, tão rápidas quanto surgem, somem. é preciso saber o que levar e, principalmente, como carregar, para, ao fim do caminho (e ele certamente há de chegar) tem uma mala leve para poder viajar. e não se preocupe: as melhores coisas (geralmente) são as mais leves & suaves de se guardar.
se não ter contas a pagar, um lar para organizar não ter direito onde morar ou ninguém para encontrar, é a tal da liberdade
se correr desnudo pela planície planalto, lama, grama qualquer outra superfície é ter liberdade
se apenas sentir, presenciar a natureza verdadeira de cada coisa (se é que cada coisa possui uma verdadeira natureza) se não ter nome família conta bancária números de CPF, identidade é possuir de uma só vez a (supostamente) inalcançável (e geralmente assustadora) felicidade se para isso é realmente necessário sair mundo afora, sem nenhuma lembrança ou sentimento humano, total into the wild se para isso for realmente preciso total & absoluta solidão esqueçam- se de mim, não me ponham nessa furada, pois (já disse o filme) “a felicidade só é verdadeira quando compartilhada.”
1.hum pelas poéticas noites quentes do Acaso o bebop corre solto sobre as ruas, pelas guias: meio-fio
cada esquina uma curva a cada curva, a alquimia dos encontros sem contrato, das carícias sem contato do sax que sopra as sombras, da cachaça degustada sem sobras a cada acorde, um despertar 4.translúcido ar de consoantes esparsas, passas pelo corpo que se arrepia e corre, e morre e pelo suave som do sopro medicinal batidas medidas em doses alotrópicas posologia: acordes dissonantes, três ao dia nota após nota digerida
camadas sonoras: [passos sem tocar os pisos] A.cê eu poderia até rabiscar algumas palavras antes de dormir, mas mesmo assim não saberia lhe dizer quais elas seriam
pois não se pode prever o próximo passo, quiça o próximo minuto quem dirá o dia de amanhã? 2.in intuitivos temas teatrais, escopos de cenas nunca ensaiadas (invertendo): o Encontro é a Arte da Vida quando ocasional, obra-prima
sob a boina um céu de sonhos multifacetados apanhado de sopros bem soprados : riscos de desenhos mal-traçados psEUdo-anjo que pousou em sua vida disfarçado
3.[respiro] para por aqui (por enquanto...)
V.e se... o corpo feminino foi feito pra dançar, que rodopie leve & solto, quando quer que (de)seja, a toda hora, em todo lugar que balance sua beleza como toda borboleta, bela, se dedica apenas a viver & voar
B.1 e ⅞ rabiscar palavras é materializar conceitos, idéias & outros confeitos é tornar tangível ( e deste modo, perpetuar ) desejos, anseios saudades de beijos, carícias, seios é lembrar teu corpo montado em minha mente roto retalho de lembranças falsas vontades, sonhos plausíveis, pseudo-vãs esperanças 6.kit linhas rápidas / rodopios de cirandas / d'emoções: / vento/ óleo/ relicário VII. nela (aquela que vai e vem e passa) noto traços de você-distante na nota que (me) trava, no sopro que (me) engasga, na eletricidade inerente da gente quando se agarra, (&m todàdrenalina do jazz) presinto um anseio profundo: eu vejo, pro mundo (uma chance de) paz. C.6,053 frames fossilizados em fotos, curvas de Bézier besuntadas entre planos, panos compridos, coloridos, maravilhosa mente maltrapilhos
nós formados pelas cordas que se quédan de la imaginacíon (“you can cut that part too”) entre emaranhados de fios mentais, dentais semente, arado: mesmo os gritos mudos sobre o mar estrelado nunca poderão ser ouvidos se não forem gritados así como lo mas puro y sincero sentimiento és lo mas dificil de ser expressado por isso (y por mas un monte de cosas que não direi agora pois já estou cansado) é que permaneço bobo, ao teu lado, te olhando, desejando, calado
poucà pouco pel&pele s'encontraram dedos ombros mãos & ossos se tocavam :o corpo alheio como área desconhecida, estrada não pavimentada, caminho para o Infinito
sem malícia ou pensamento, sem nada dizer polegada a polegada nós começavamos a (realmente) nos (re)conhecer cada milímetro de pele tocada nos poupava kilômetros de conversa e mesmo a música (sendo ela automóveis, pássaros, discos, mar, rio, cabeça...) o aroma (incenso, velas, mato, concreto, hormônios...) a luz (sol, sombra, lua, abajur, fogo, rua...) ou qualquer outro elemento (exceto nós dois) era pura firula, superficialidades descartáveis nessa nossa brincadeira inconsciente de esconde-e-mostra e
na cumplicidade metafísica do silêncio confessávamos pecados & desejos inaudíveis, blasfemávamos desaforadamente, sem medo de represálias, pois não existia mais ninguém em todo o Universo naquele momento além de nós dois e, mesmo se existisse, não entenderia a língua muda na qual nos comunicamos por um tempo inimaginávelmente estátic(o/a) onde nossos corpos, (casca, nave, lagarta...) lentamente conduziam esta onírica comunhão enquanto séculos, milênios da história da vida humana aconteciam naquele momento, mas nada disso nos importava, pois era algo externo ao templo que construímos— mesmo que por um microlímetro de segundo — quando unimos nossas almas.
para ser poeta não é preciso (necessariamente) escrever; viver de bem com o Universo é das formas mais elevadas de se fazer Poesia.
sentar numa pedra observar a Natureza simples mente sendo; assumir por um brev&maravilhoso instante o lugar da estriquinada formiga que corre apressada pel'areia, ou do pequeno pedaço de casca de galho que baila compassada mente, sem pressa, sob o leito do rio, é fazer Poesia.
para ser Poeta, (no entando) é preciso (acima de tudo) muito, muito cuidado, pois escrever é (no mínimo, pode ser) aniquilar a experiência, escrever (em excesso) pode ser assassinar a Vida, pois dar nome (trans)codificar sentimentos & sensações em palavras é matar as Coisas. eis que surge então “o Bloqueio Criativo”, sua função: recesso , captação, para que o Poeta (o Artista) se lembre que apesar de sermos todos personagens a Vida não é um livro. a Vida é para se viver, viver, viver! pois assim vivída a Vida vai sendo escrita.
o sol pela janela balança sob efeito do vento (sob efeito da fumaça)
penso que o pensar está muito distante do compreender & que se compreender (se sentir) humano é descobrir-se divino pois este (o Divino) não está numa grande grande construção de areia & pedra, não está num pomposo altar dourado, n[em]2 imagens ou livros sagrados o Divino está na criança que chora alegre pela sala, no cão sarnento que uiva de fome, no esquizofrêncio mendigo que blasfema sozinho pelas ruas da cidade, coberto de plástico, papelão, solidão & saudade o Divino está (também) na planta esmagada da calçada, no abraço carinhoso do cotidiano, no jiló azedo jogado na barraca da feira, na caminhada descalça por ruas sujas & chãos molhados numa noite amena, o Divino está na pessoa feia ao seu lado, está no olhar verdadeiro de um estranho o Divino está em todas as pequenas coisas minúsculas que nos passam desapercebidas a todo momento em nossas vidas está no espaço existente entre uma respiração e outra, entre um pensamento e outro o Divino está em todas as coisas existentes no Universo, o Divino está em todos os lugares o Divino está, principalmente, dentro de cada um de nós.
passeando por um jardim de sonhos parei para conversar com uma f l o r no começo, não sabia sobre o que falar engasguei gaguejei &, diante de tanta beleza, invadido por aquele torpor, pensei: “como falar, com uma flor, sobre outra coisa que não o Amor?” (ao mesmo tempo, sussuravam-me aos ouvidos, me gritavam por sobre os ombros, milhares de outras flores)
caminhava [pela noite] quando vi sete estrelas brilhando no céu: : parei e bebi (com) todas elas.
caminhava [pela areia] quando vi sete estrelas brilhando no mar: : parei e dancei (com) todas elas.
um bizarro halo rodeava a lua (que brilhava, alta & ciumenta).
Por que tanto atormenta ,a lua, à todòs poetas?
Por que não ser ela, ,a lua, amistosa&amigável como os (constantementemutáveis) barrancos de areia da beira dos rios vivendo em seu tempo imóvel&infinito contato constante com o inconsciente, felizes por se saberem Nada apenas parte
do Todo
 | 11/11 | Nov 11, '07 11:43 PM for everyone |
I. quando a chuva cega chega para (nos) desejar bom-dia olho para o lado: seu sorriso é meu sol; meu suco, seu suor
II. quero ser o maestro louco que anda maltrapilho pelas ruas sob a chuva fina, regendo a orquestra invisível da Natureza
III. sozinho & longe de ti, de ti, de ti, & de ti, desejo desejo desejo desejar (ao menos) um pouco menos
IV. na perfeição transparente das bolhas de sabão, na leveza segura das bolhas de sabão, em todas as cores simultâneamente translúcidas das bolhas de sabão,
mora um pequeno deus que transmuta moedas em prantos, patos em porcos, dor em formas assimétricas.
V. pulsam poetas, pintores: perenes párias. peixes parecem playmobil parece (que) o príncipe pirou de pinga parece (que) pegaram o papa pondo peruca parece (que) o poeta dispersou e o poema se foi.
mais uma meia lua (me) faz mexer este coração -agulha (que poucas vezes repete suas faixas favoritas)
anjos d'estranhos cabelos desfilam/passam por (sobre) mim muitas me tocam , poucas me sentem ( sentir como saber(se) verdadeiro)
bailam, sorridentes & sensuais, sem saber se sabem, usando (muitas vezes sem querer) a seiva cósmica que (algum) deus lhe/s/ deu/s/
rodopio muitas noites por entre elas, divagando de colo em colo mordendo, com cautela porém guloso, o bolo místico que a mim fora dado
ao tocar (ao ser tocado) por qualquer uma delas, o ambiente, os elementos tudo o mais se dissolve, de dissipa restando naquele momento apenas aquele anjo, ela rainha efêmera dentre todas as outras . o tempo some enquando sou devorado por bocas & suspiros; fascinios celestes os anjos dionisíacos que se despem, esta casca tosca se muta: um felino folgado & dengoso assume a luta onde vencer ou ganhar é mero fetiche
o anjo abre suas asas sob rugido do leão
o dia se anoitece assim como o som do inferno se silência: o momento se transmuta perante a nudez dum anjo
neste sonho misto, dança da madrugada, desperto sozinho emaranhado (ao) todo comigo mesmo todo abobalhado, cara achatada de assoalho felino faminto enjaulado num paspalho findado o coito celeste a ilusão volta, o anjo perde suas asas enquanto felino lambe suas (auto-infligidas) feridas.
.pelo caótico coração de câncer & o caprichoso cérebro capricorniano, peço licença para acessar sua alma. (porém lhe aviso de antemão: não sei o quê farei, muito menos o quê falarão)
é como estar no trono sem uma rainha ao lado — louco rei solitário;
é como ser sujeito — cheio de predicados — sem complemento algum ao lado;
é como ser humano — sentindo saudades: medos, anseios & vontades — vasta vivência volátil, vida vulto vaporoso;
e você? pedaço puro de desejo fogo que afaga, afoga & alimenta constante & presente dúbia ausênca: flores & feitos meus pêlos teus peitos
comigo mas sem tigo contigo mas sem migo: em momentos de jôio, te sinto meu trigo.
meu existir — e tua presença — no meu existir me fazem não sei o quê falar, agir, pensar, então calmamente eu desespero; desisto e vou m'embora dormir.
 | No News | Sep 5, '07 4:25 AM for everyone |
(muitas vezes pode não parecer, mas) eu caminho só pela efemeridade da tarde, de cada dia, pela Vida.
a (in)certeza dum futuro me acalma, pacifica a alma mas tem dias, onde o marasmo me acorda, cotidiano besta me arrasta (me arrasa)
sinto-me só, — solitário, mas não sozinho.
mas tem dias nos quais até o acaso — presente saboroso do viver — se torna previsível, a novidade da Vida é zero, mesma atriz com outro figurino.
assim sendo, apenas confirmo: loucos são os outros — autointitulados “normais” — justo eles, todos iguais.
tranquei o Desejo numa jaula pequenina. ele foi encolhendo, tipo pílula de polegarina.
nos três primeiros dias ele muito se debateu, depois foi acalmando agora ta quieto, vezoutra parece até que morreu.
— mentira.
mesmo aprisionado, ele me presiona. mesmo presionado, ele me aprisiona. meu desejo já não é mais tão forte para que'u dispenda muita energia tentando mas agora que o dia nasce |
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