Textos

Blog EntryDevaneios LogopáticosJun 26, '08 7:03 PM
for everyone
I

     é estranho
talvez complicado
e até mesmo difícil
(ao menos para mim)
    compreender isso
    que se passa aqui,
   que acontece dentro de mim
(no raso da mente, no fundo do peito)


   e como tudo que tem sentido
               (que tenho sentido)
    é paradoxal, oblíquo

encontro segurança em teus abraços, calor na tua pele, alimento em teu amor,
                                silêncio nos teus olhos,
                                  curiosidade
                                    em teu jeito de olhar
                            e isto (também) me faz seguir adiante

    assim como o gosto pelo novo, àtração pelo desconhecido, o tesouro
                                      ainda escondido


II
tenho passado
        (presente, futuro)
horas dos dias na nóia,
fritando neurônios
      refletindo
    sobre os tais relaconamentos afetivos humanos

        
        quem me dera ter apenas
    o amor dos felinos,    que se lambem
                   sem pudor


III
        mas quando te vejo
    toda dúvida (por um momento) s'esconde
                    não sei onde,
           
porém ainda consigo sentí-las debaixo
                    de cada pedaço de abraço

            uma pulsão de desejos
                quase necessidade
        mais que isso:
                    uma saudade                        (besta)
                da solidão que acompanha a liberdade

IV

?
ou seria esta, a Liberdade,
irmã da Solidão, filha da Saudade
?

V

    sèu não soubesse
        que a realidade é invisível aos olhos,
        acreditasse que carbono, dinheiro & sangue é tudo que existe,
        lesse jornal e acompanhasse novela, fosse sodomizado pela televisão,
        lutasse pela propriedade privada, frequentasse a igreja, comesse bicho morto
nas refeições, orasse antes de dormir, trabalhasse de camisa, concluísse uma faculdade, cogitasse a hipótese de me casar,  tivesse um carro, acompanhasse futebol, não gostasse de andar perdido por aí nos dias frios, nascesse milionário, com carteira assinada, barba feita e cabelo penteado, muito provavelmente eu não acharia a monogamia algo anti-natural ao ser humano.

VI
                já me disseram
                    que é mal de poeta, alguns nascem com isso, daí
                            não tem como evitar
        em ataques aleatórios & esporádicos
            uma dúvida angustiante a respeito de tudo, do Tudo
(duplamente)                               do Nada

            uma curiosidade que percorre o existir, necessidade de experenciar
                        para poder opinar, odiar e amar

ser parte da natureza, andar pela terra, voar como vento, fluído como água, o fogo da paixão

        é como na sinuca, preferir ser sempre ímpar
                                 a ser par

I
não há dentro,
não há fora

não há lugar,
nem não-lugar

estar aqui é
estar lá:

ubiquidade virtual wireless,
solidão
compartilhada via rede.


II
num lugar que não
se toca
    aleatório & incalculável
a cada segundo nascem símbolos
    variados & efêmeros
que contam, mas não somam

espaço real,
        dimensão intangível
    onde todos podem
            ser Deus
— pelo menos perante
        a si mesmo —



III
dia que todo
    dia
(re)nasce & morre
   meta morfose
        aleatória dentrèstados
                 :
          ser forma
         sem forma
        é a essência
             do ser
                 .

Blog Entry2x.05.VIII (ou Achismos de Dias Quentes)May 29, '08 2:57 PM
for everyone
mais do que
        entender                (geralmente)
                        busco compreender        os mistérios
                                        os Mistérios
                                    (d)    
                                         o Existir


    (pela Vida)        observo gestos, gesticulo versos,        ouço
                                    frases soltas do porvir
                        tentando (tantando) captar
                          frequências objetivas da Verdade
                    virtualidade paralela_mente siamêsa do Ser

            mas como se libertar total_mente enquanto seis milhões de monstros
    raivosos, grunhindo insesável_mente obscenidades incongruentes ao meus ouvidos, cospem
no ar o sangue cinza sugado já há quase dois séculos de desigualdade, desiquilíbrio, destruição entre                           outras dezenas de descoisas,
                        como a restrição da liberdade social do indivíduo,
                        a merdificação da mídia, a escravidão remunerada,
                            o incentivo vergonhoso ao consumo, cravado na mente humana das mais diversas formas — da dilaceração explícita feita com garras sujas e presas afiadas, que rasgam o cérebro para vomitarem lixo maldigerido no seu centro às mais avançadas nanocirurgias eletrônico-digitais que instalam absorventes bluetooth de radiação cancerínega bem no meio do seu ajna  — .
                                
II

andando a noite
    pelas veias        — que mesmo nestas supostas horas de repouso,
                    horas-lazer, continuam entupidas, carcomidas por
                                        vírus coletivos
                        e individuais —
       
        nestas horas
    caminho e        mesmo sem ninguém
                    ao meu redor
        não estou sozinho
    — tenho minhas sombras, m(eus) 2
         & as sombras dos meus eus.


V

            (mais uma vez)
            (mais uma vez)
    cruzo a Vida            pelo Espaço da rua
                                meto a mão no bolso
                                e lá encontro    dois fantasmas:
                                Passado & Futuro
caminhamos
                    os três de mãos dadas
                percebo         que prefiro o Presente
        os solto, as solto
         e corro ao encontro do Agora


III

entre um olho e outro
entre
Esquerdo                           &                                   Direito

a Alma habita

entre
o Sol                               &                               a Lua
entre
o domínio intelectual do Dia                    ,
                                                                         o controle emocional da Noite

                                           a Tarde habita

                                                   ∴

                                           o Todo habita

entre os Olhos                            ,                         entre as Horas

há um Portal



aberto àqueles que sentem, que se abre
                                àqueles que sentem, àqueles
                                    que sabem sentir, que se abrem

um Portal
onde
Tempo                               &                             Espaço
        são meros conceitos                          conceituais
                                         .

IV

ver te
é sentir todo o Universo
        movendo-se em meu peito

é deixar saltitante
        cada microcélula do meu ínfimo existir físico

ver te
     é adentrar
        um estado alterado de consciência

ver te
é ver me

Blog Entry1x.05.VIII (ou Achismos de Outono)May 15, '08 12:16 AM
for everyone
1.inspira
& absorve todò mundo ao teu redor.

quero o caos que cria mundos
o erro que traz a reflexão
o acaso que cria e destrói casas, casos

2.expira
& devolve-o filtrado, alterado
              afetado
        por toda sua (minha, nossa) subjetividade.

quando os caminhos de nossa própria psiquê
forem novamente percorridos, sem jamais
                para além de si serem traçados
    pseudamente mapeados — como cartografar o Rei dos Mutantes Infinitos & Efêmeros?
        pílulas de conhecimento     (— não as confudam com remédios)
escondidas sob as formas nuvens, sobre os veios das plantas, na casca dos caracóis
                            ou nas asas da borboleta morta

3.& olha-te
(por dentro), a ti mesmo
do centro da linha horizontal nariz/nuca,
na altura de dois dedos acima dos olhos.

da dolorosa beleza do fotograma que expontâneamente se queima
fogo-fátuo por entre foquistas obtusos
trans-correm
horas = dias = noites = semanas =
(...)
chaleiras sobre chamas
somam / todòs tipos de pré-supostos
                                          queimam

4.& prestàtenção
no invisível&mágico_momento
existente entre 1 e 2 supracitados.

neste lúdico&caótico micromomento
                (no qual moram os mistérios do Universo
            — infinitos versos ecléticos (in)tangíveis
                    e her(m)éticos que convergem para o Uno—)
        a Realidade
            (se)   existe

Blog EntrySobre Lesmas (Sobre a Terra & Sob a Lua)Mar 26, '08 1:23 AM
for everyone
I.
        lenta
             a lesma
        segue
    — sobre a terra,
               sob a lua —
    seu longo caminho                            lenta
                                                a lua            (também)                                segue
                                       — (aparentemente) sobre a Terra,
                                    reflexo do sol —
                                         seu eterno caminho


                na história do universo
            quantas lesmas, em (qu/t)antas diferentes noites
                    já caminharam, sobre
                as mais variadas terras, sob
                            a mesma lua?





II.
                        quantas mais
                    deverão caminhar até
                        que entendamos
                — melhor dizendo, compreendamos:
    (o primeiro com a cabeça, o outro com o coração) —
                            que todo o tridimensional é efêmero,
                         possui início, possui fim
            X Y Z dissolvidos em t
                            &,
                        pensando em tudo isso
                    a cada segundo que passa, percebo
                        o quanto gosto
                                 de você                    (s)












3.
                                        mesmo em movimento
                                    visualmente
                                    variando        aos poucos
— constante metafmorfose cíclica, lagarta oroboroleta —            bela & alta
                                            se mantém lá
                                        feminina, misteriosa, hipno-
                                                       tizante                                 próxima pelo passado, longe pela distância
(mesmo quando perto)
                    
                    ver, amar
                            poder tocar
                        dormir, sonhar            com vontade de chorar

    (não sendo
o choro algo        necessária-
                   mente triste, mas
                        sim
        o transbordar dum sentimento
              exponencial            que não cabe no peito)
                                                ao lado, s'escondendo por entre
                    as nuvens, em vão:
                                      seu brilho atravessa qualquer
                                                barreira 1V.                                            (quiçá...)
vi-
ver
é    ca
    mi
    nhar
por um
            imenso
        deserto
      tão vazio
                cheio de miragens, inalcansáveis oásis

      no deserto
todàs direções são iguais
                não existem placas, apenas
            guias ocultos que (en)cantam mu(n)dos
                    seres iluminados, maltrapilhos
                                    sujismundos

                                            cada um de nós
                        caminhando, caminhando,
                cada qual        em seu        particular & infinito        deserto
         apenas corpo
    & mala

iiiii.
    nesta mala
     cabe tudo, tão pequeno quanto        a lesma
                     grande quanto        a lua
cabe qualquer coisa
        que exista
(ou não)    no mundo
                                    e, ao cair em cada nova caminhada
        carregamos na mala
           tudoquejáexistiu
mas, incrivelmente
isso não pesa            (quase)
      nada





V1.
            tenha                    10,
                                50,
                                1000000...
                                de passos
            toda jornada                 começa com o primeiro

iiiii2.
e já nele começamos a selecionar
(geralmente inconscientes)
o que fica e o que sai da mala
e por esse mecanismo, a vida segue

tudo que nela colocamos
é de nossa inteira responsabilidade
pessoal & intransferível
e cada um deve
(querendo ou não)
carregar a sua mala sozinho

o peso de cada coisa depende muito de como se carrega. o amor pode ser fardo fétido,
                                        pode ser débil deleite
o Outro pode lhe ajudar a escolher o que e como carregar, mas nunca fazer isto por você, pois
já possui a dele.
vamos passando pelo tempo constantemente colocando e retirando as coisas da mala. muitas delas são difíceis, quase impossíveis, de largar; outras, tão rápidas quanto surgem, somem.
é preciso saber o que levar e, principalmente, como carregar, para, ao fim do caminho (e ele certamente há de chegar) tem uma mala leve para poder viajar.
e não se preocupe: as melhores coisas (geralmente) são as mais leves & suaves
de se guardar. 

Blog EntryInto the WildFeb 16, '08 12:58 PM
for everyone
se
        não ter contas a pagar,
        um lar para organizar
        não ter            direito onde morar
                     ou ninguém para encontrar,
                                    é a tal da liberdade


    se
        correr desnudo pela planície
                    planalto, lama, grama
            qualquer outra superfície
                                    é ter liberdade


    se
        apenas sentir, presenciar
            a natureza verdadeira de cada coisa
                                (se é que cada coisa possui
                            uma verdadeira natureza)
    se
        não ter nome família conta bancária
                números de CPF, identidade        é possuir
                                    de uma só vez
            a (supostamente) inalcançável (e geralmente assustadora) felicidade
    se
        para isso é realmente necessário sair mundo afora,
    sem nenhuma lembrança ou sentimento humano,
            total into the wild
    se
        para isso for realmente preciso
                    total & absoluta solidão
                                            esqueçam-
    se
        de mim, não            me ponham
                        nessa furada, pois (já disse o filme)
                “a felicidade só é verdadeira
                            quando compartilhada.”

1.hum
                pelas poéticas
               noites quentes do Acaso
                                o bebop corre solto
        sobre as ruas,                    pelas guias:         meio-fio

    cada esquina        uma curva
            a cada curva,        a alquimia
                                dos encontros sem contrato,
                                    das carícias
                                        sem contato
        do sax que sopra
                as sombras,            da cachaça
                            degustada sem sobras
        — a cada acorde,        um despertar
4.translúcido
            ar de consoantes    esparsas, passas
                            pelo corpo         que se arrepia
        e corre,    e morre    e pelo
                           suave som            do sopro medicinal
                       batidas            medidas em doses
                                        alotrópicas
    posologia:         acordes dissonantes,
                            três ao dia
                    nota após nota        digerida

    camadas sonoras:                 [passos sem tocar os pisos]
A.cê
        eu poderia até rabiscar
            algumas palavras            antes de dormir,
                            mas             mesmo assim
                    não saberia
                    lhe dizer quais elas seriam

    pois não se pode
        prever o próximo passo,             quiça o próximo minuto
                            quem dirá
                               o dia de amanhã?
2.in
                                intuitivos
                            temas teatrais,            escopos
                                        de cenas nunca ensaiadas
    (invertendo):
            o Encontro é a Arte da Vida
                quando ocasional,            obra-prima

                        sob a boina                um céu
                                    de sonhos multifacetados
        — apanhado de sopros
                bem soprados — :
                                riscos de desenhos
                                    mal-traçados
            psEUdo-anjo que pousou
                            em sua vida        disfarçado

3.[respiro]
            para por aqui
                                (por enquanto...)



V.e se...
    o corpo feminino            foi feito pra dançar,
            que rodopie leve & solto,        quando quer que (de)seja,
                a toda hora, em todo lugar
                                        que balance sua beleza
                            como toda borboleta,        bela,
        se dedica apenas                    a viver & voar


B.1 e ⅞
                  rabiscar palavras
            é materializar conceitos,              idéias &
                     outros confeitos
                                        é tornar tangível
                        (— e deste modo, perpetuar —)
            desejos, anseios
                saudades de beijos, carícias, seios
       é lembrar teu corpo
            montado em minha mente
                    roto retalho de lembranças
        — falsas vontades, sonhos plausíveis, pseudo-vãs
                        esperanças
6.kit
linhas rápidas       /       rodopios de cirandas       /       d'emoções:       /       vento/
                                              óleo/
                                      relicário
VII. nela
                                (aquela
                            que vai e vem e passa)
                    noto traços de você-distante
    na nota que (me) trava,
    no sopro que (me) engasga,                na eletricidade
                            inerente    da gente quando
                se agarra,
                (&m todàdrenalina do jazz)
                        presinto        um anseio profundo:
        eu vejo, pro mundo        (uma chance de)                paz.
C.6,053                        
            frames fossilizados em fotos,
                    curvas de Bézier besuntadas entre planos, panos
                                        compridos, coloridos,
                        maravilhosa mente maltrapilhos

        nós formados pelas cordas que se quédan
                           de la imaginacíon
(“you can cut that part too”)
                    entre emaranhados de fios mentais,
                                        dentais — semente,
                                           arado:
                    mesmo os gritos mudos sobre o mar estrelado
                            nunca poderão ser ouvidos
                                se não forem gritados
            así como lo mas puro y sincero sentimiento
                és lo mas dificil de ser expressado
    
        por isso (y por mas un monte de cosas
                    que não direi agora pois já estou cansado)
                            é que permaneço bobo,
                        ao teu lado, te olhando, desejando,
                                             calado

Blog EntryTranscomunhão OníricaJan 18, '08 10:56 AM
for everyone
poucà pouco
        pel&pele s'encontraram
                            dedos    ombros    mãos & ossos
                                    se tocavam
            
            :o corpo alheio como área desconhecida,
                estrada não pavimentada,         caminho para o Infinito

sem malícia ou pensamento,         sem nada dizer
                            polegada a polegada             nós começavamos                                 a (realmente) nos (re)conhecer
              
        cada milímetro de pele tocada
            nos poupava        kilômetros de conversa e mesmo
                                            a música
(sendo ela automóveis, pássaros, discos, mar, rio, cabeça...) 
                                            o aroma
(incenso, velas, mato, concreto, hormônios...)
                                            a luz
(sol, sombra, lua, abajur, fogo, rua...)                    ou qualquer outro elemento
                        (exceto nós dois)
                    era pura firula, superficialidades descartáveis
    nessa nossa brincadeira inconsciente de esconde-e-mostra
                                   e

            na cumplicidade metafísica do silêncio
                confessávamos pecados & desejos inaudíveis,
        blasfemávamos desaforadamente, sem medo de represálias, pois
                            não existia mais ninguém em todo o Universo naquele momento além de nós dois e, mesmo se existisse, não entenderia a língua muda na qual nos comunicamos por um tempo inimaginávelmente estátic(o/a) onde nossos corpos, (casca, nave, lagarta...) lentamente conduziam esta onírica comunhão enquanto séculos, milênios da história da vida humana aconteciam naquele momento, mas nada disso nos importava, pois era algo externo
ao templo que construímos— mesmo que por um microlímetro de segundo — quando unimos nossas almas.
 

Blog EntryComo Ser Poeta?Jan 9, '08 8:10 AM
for everyone
para ser            poeta
                    não é preciso
            (necessariamente)        escrever;
                    viver de bem
                        com o Universo               é
                das formas            mais elevadas
                         de se fazer                    Poesia.


    sentar numa pedra
                    observar a Natureza                simples
                                             mente
                                             sendo;
        assumir            por um brev&maravilhoso
                                        instante
                o lugar         da estriquinada         formiga
    que corre    apressada        pel'areia,            ou
                                            do pequeno
                pedaço de casca de galho        que baila
    compassada
         mente,            sem pressa,                sob
                                    o leito do rio,         é fazer
     Poesia.


            para ser            Poeta,
                    (no entando)            é preciso
(acima de tudo)        muito,            muito                    cuidado,
                              pois escrever é
             (no mínimo, pode ser)            aniquilar a experiência, escrever
    (em excesso) pode ser            assassinar a Vida, pois
                                dar nome
                —(trans)codificar sentimentos & sensações
                        em palavras —        é matar
                                                as Coisas.
    eis
           que surge então        “o Bloqueio Criativo”,    sua função:
                recesso    ,    captação,    para que        o Poeta
                                                  (o Artista)
    se lembre que
                — apesar de sermos todos personagens —
                 a Vida não é um livro. a Vida            é para se
                                  viver, viver, viver!
    pois assim         — vivída —
                            a Vida                vai sendo escrita.

Blog EntryPoema (sobre o) DivinoDec 16, '07 10:46 PM
for everyone
o sol
        pela janela        balança
                    sob efeito do vento
                         (sob efeito da fumaça)

                                    penso
                                que o pensar
                                        está muito
    distante
    do compreender
                        & que se compreender    (se sentir)
                                     humano
                                é descobrir-se divino
            pois este
                   (o Divino)
                    não está        numa grande grande construção
                                    de areia & pedra,
                    não está            num pomposo
                                    altar dourado,
                    n[em]2                  imagens ou livros
                                        sagrados
          
 o Divino            está
                        na criança que chora alegre pela sala,
                        no cão sarnento que uiva de fome,
                        no esquizofrêncio mendigo que blasfema sozinho
pelas ruas da cidade, coberto de plástico, papelão, solidão & saudade
                               
                            o Divino está (também)
                            na planta esmagada da calçada,
                            no abraço carinhoso do cotidiano,
                            no jiló azedo jogado na barraca da feira,
            na caminhada descalça por ruas sujas & chãos molhados numa noite amena,
    o Divino está
    na pessoa feia ao seu lado,              está no olhar verdadeiro de um estranho
                  o Divino está em todas as pequenas coisas minúsculas
                   que nos passam desapercebidas a todo momento em nossas vidas
                está no espaço existente
                        entre uma respiração e outra,
                        entre um pensamento e outro
        o Divino está em todas as coisas existentes no Universo, o Divino
                                    está em todos os lugares
                o Divino está, principalmente,
                            dentro de cada um de nós.

Blog EntryConversa FloridaDec 10, '07 12:00 AM
for everyone
    passeando por um
        jardim de sonhos   
    parei
    para conversar
            com uma
                    f
                    l
                    o
                    r

                            no começo, não
                                sabia sobre
                        o que falar
                                engasguei gaguejei &,
                                 diante de tanta beleza,
                            invadido por aquele torpor,
                                    pensei:
                              “como falar, com uma flor, sobre outra coisa
                                que não o Amor?”

(ao mesmo tempo, sussuravam-me aos ouvidos, me gritavam por sobre os ombros,  milhares de outras flores)

Blog EntrySete EstrelasNov 25, '07 1:28 PM
for everyone
caminhava                 [pela noite]
        quando vi sete estrelas                    brilhando no céu:
                                :
                             parei
                       e bebi (com) todas elas.

    caminhava                 [pela areia]
        quando vi sete estrelas                    brilhando no mar:
                                :
                             parei
                       e dancei (com) todas elas.

         um bizarro halo rodeava a lua (que brilhava,               alta & ciumenta).


            — Por que tanto atormenta
                             ,a lua,
                               à todòs poetas?

                  Por que não ser ela,
                              ,a lua,
                        amistosa&amigável
                            como os
                          (constantementemutáveis)
                           barrancos de areia da beira dos rios
                    vivendo em seu tempo
                                        imóvel&infinito
                        contato constante com
                    o inconsciente,
                                felizes
                            por se saberem             Nada
                                    apenas parte






                        do Todo












Blog Entry11/11Nov 11, '07 11:43 PM
for everyone
I.        quando a chuva cega chega
            para (nos) desejar        bom-dia
    olho para o lado:                    seu sorriso
                                é meu sol;
                    meu suco, seu suor

II.            quero ser
                        o maestro louco
                    que anda             maltrapilho pelas ruas
                                sob a chuva fina,     regendo
                                     a orquestra invisível da Natureza

III.    sozinho
        & longe        de ti,        de ti,        de ti,        &          de ti,
                    desejo        desejo        desejo
                                    desejar (ao menos)
                                     um pouco menos

IV.              na perfeição transparente
        das bolhas de sabão,                    na leveza segura
                                        das bolhas de sabão,
                        em todas as cores
                       simultâneamente translúcidas
                        das bolhas de sabão,

    mora um pequeno deus             que transmuta         moedas em prantos,
                                          patos em porcos,
                                      dor em formas assimétricas.

V.        pulsam
        poetas,
        pintores:
        perenes
        párias.                        peixes
                                parecem
                                playmobil
                    
                parece (que)
                     o príncipe
                pirou
                   de pinga                        parece (que)
                                        pegaram
                                             o papa
                                        pondo
                                        peruca
                        parece (que)
                             o poeta
                            dispersou
                          e o poema
                            se foi.

Blog EntryVisitanjos (Transtornos Transcelestiais)Nov 2, '07 5:47 AM
for everyone
mais uma        meia lua
            (me) faz mexer
                    este coração
                        -agulha
                            (que poucas vezes repete
                            suas faixas favoritas)

        anjos
    d'estranhos cabelos
            desfilam/passam         por (sobre) mim
                                        muitas me tocam
                                            , poucas me sentem
                
                (— sentir como saber(se) verdadeiro)

          bailam, sorridentes & sensuais, sem saber se sabem, usando
    (muitas vezes sem querer) a seiva cósmica que (algum) deus lhe/s/ deu/s/

                      rodopio muitas noites por entre elas, divagando de colo em colo
mordendo, com cautela porém guloso, o bolo místico que a mim fora dado

    ao tocar
    (ao ser tocado)
        por qualquer uma delas,
                o ambiente, os elementos            tudo o mais
                                    se dissolve, de dissipa
                    restando    naquele momento
                     apenas aquele anjo, ela
        — rainha efêmera dentre todas as outras —
                                .
                                o tempo some
                            enquando sou devorado por bocas
                                & suspiros; fascinios celestes
            os anjos dionisíacos
                que se despem, esta casca tosca se muta:
        um felino folgado & dengoso assume a luta
                                onde vencer ou ganhar é mero fetiche

o anjo abre suas asas sob rugido do leão

                o dia se anoitece assim como o som do inferno se silência:
                      o momento se transmuta perante a nudez dum anjo


    neste sonho misto,
        — dança da madrugada,                    desperto sozinho
                                        emaranhado (ao)  todo
                                        comigo mesmo
                                       todo abobalhado, cara
                                        achatada de assoalho
                                        felino faminto
                                        enjaulado num
                                             paspalho
                   
                    findado o coito celeste
                        a ilusão volta, o anjo
                        perde suas asas
                            enquanto felino lambe
                        suas (auto-infligidas)
                            feridas.

Blog EntryFusão (Duma Imensa Confusão)Oct 4, '07 11:43 PM
for everyone
.pelo caótico coração de câncer
                & o caprichoso cérebro capricorniano,
            peço licença
                para acessar sua alma.
                        
                    (porém lhe aviso de antemão:
                  não sei o quê
                    farei, muito menos o quê
                                  falarão)


    é como estar no trono
            sem uma rainha ao lado        — louco rei solitário;

                        é como ser sujeito
                — cheio de predicados
                            sem complemento algum        ao lado;

        é como ser humano
            — sentindo saudades:
                    medos, anseios & vontades

                vasta vivência volátil,
                             vida vulto vaporoso;

                    e você?
           pedaço puro de desejo
        fogo que afaga, afoga & alimenta
            constante & presente
                   dúbia ausênca:            flores & feitos
                                     meus pêlos teus peitos
                                   

        comigo mas sem tigo
                        contigo mas sem migo:
            em momentos de jôio,
                    te sinto meu trigo.

    meu existir    — e tua presença —
                        no meu existir
                            me fazem    não sei
                                                o quê
                                                falar,
                                                 agir,
                                               pensar
,
            então calmamente
        eu desespero; desisto
                                        e vou m'embora dormir.

Blog EntryNo NewsSep 5, '07 4:25 AM
for everyone
(muitas vezes
               pode não parecer, mas)
                                                                              eu caminho só
                                                                      pela efemeridade da tarde,
                                                                                de cada dia,
                                                                                  pela Vida.

            a (in)certeza dum futuro
                    me acalma, pacifica a alma
       
        mas tem dias, onde o marasmo me acorda,
                                            cotidiano besta me arrasta
                                                                  (me arrasa)

 sinto-me só,
                                — solitário,            mas não sozinho.

                                            mas tem dias
                                    nos quais até o acaso — presente saboroso do viver —
                                                                                se torna previsível,
            a novidade da Vida
                    é zero,               
                                                                mesma atriz com outro figurino.

                                        assim sendo, apenas confirmo:
                                                loucos são os outros
                                          — autointitulados “normais” —
                                               justo eles, todos iguais.


Blog EntryRápido Poemete Abstêmio Pela ManhãSep 1, '07 5:30 AM
for everyone
tranquei o Desejo
        numa jaula pequenina.
                ele foi encolhendo,
                tipo pílula        de polegarina.

                                nos três primeiros dias
                            ele muito se debateu,
                                    depois foi acalmando
                           agora ta quieto, vezoutra parece até que morreu.

    
                            — mentira.


mesmo aprisionado, ele me presiona.
        mesmo presionado, ele me aprisiona.
                            meu desejo já não é mais tão forte
                            para que'u dispenda muita energia tentando
                                mas agora que o dia nasce